A noite passa,
e eu sou aquele cigarro esquecido no cinzeiro que queima , que se acaba , que a cada segundo está mais perto do seu fim, ali imóvel...
É o nada, o vazio no meio do escuro, parado, queimando no meio da sujeira...
As sombras passam pela janela, pela janela eu escuto o barulhos dos carros ( cheios de vida ) ,
mas ainda sou um resto de cigarro que teima a queimar, que teima em se acabar ...
É a falta de vontade, de levantar, de sorrir, de chorar, de rir, mas não me falta a vontade de cantar ( alívio para os loucos, talvez... )
Essa vontade de nada, incomoda, muito.
Hoje as coisas estão tão a deriva, tão largadas, num "tanto-faz" que dá até raiva, morrendo assim aos poucos,
como meu cigarro, que ainda queima,
como eu , que ainda queimo.
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